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Vídeo de cães soltos na rua por clínica veterinária no Paraná leva polícia a descobrir série de irregularidades no local, contratado por prefeitura; veja
Vídeo de cães soltos na rua por clínica veterinária no Paraná leva polícia a descobrir série de irregularidades no local, contratado por prefeitura; veja (Foto: Reprodução)

Vídeo de cães soltos na rua por clínica veterinária leva polícia a descobrir irregularidad O vídeo que mostra a equipe de uma clínica veterinária soltando dois cães em uma rua de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, levou a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) a descobrir uma série de irregularidades no estabelecimento - que é contratado pela prefeitura municipal para realizar serviços como atendimento veterinário e castração em animais de rua. A cena aconteceu em março e viralizou nas redes sociais. As imagens mostram que, após pararem em uma via não pavimentada, funcionários da Clinicão descem da ambulância veterinária, soltam os cachorros, tiram fotos deles na rua e na sequência vão embora. Veja no vídeo acima. Após a circulação do vídeo, a clínica passou a ser investigada pela Polícia Civil. O inquérito foi finalizado nesta terça-feira (9) pelo delegado Derick Moura Jorge, que indiciou a Clinicão e três médicos veterinários do estabelecimento pelo crime de maus-tratos aos animais. Os nomes dos veterinários não foram divulgados porque o processo corre em sigilo de Justiça. O g1 tenta contato com a defesa deles. ✅ Siga o canal do g1 Ponta Grossa e região no WhatsApp Segundo o delegado, os dois cães que aparecem no vídeo foram recolhidos para castração, mas "abandonados de forma desamparada" em uma região erma da Vila Mezzomo, à margem de uma linha férrea ativa, a mais de 7 quilômetros da comunidade onde os animais viviam e eram monitorados. "Ao serem resgatados, os cães apresentavam desidratação severa e estavam com as incisões cirúrgicas abertas e com os pontos rompidos, sem qualquer proteção ou suporte analgésico", aponta Jorge. Ao g1, a Clinicão disse que "os procedimentos adotados observaram os protocolos operacionais e técnicos aplicáveis ao caso, incluindo as diretrizes de Captura, Esterilização e Devolução (CED), metodologia amplamente utilizada em programas de manejo populacional de animais". "A Clinicão também manifesta sua confiança na atuação ética, técnica e responsável dos médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos, que sempre exerceram suas funções pautados pelos princípios da medicina veterinária e do bem-estar animal. Todos os documentos, registros e informações pertinentes serão apresentados aos órgãos competentes, oportunidade em que a empresa exercerá plenamente seu direito de defesa", disse a clínica. Na época em que o caso veio à tona, a prefeitura de Ponta Grossa disse que o procedimento seguiu a orientação de uma lei municipal, que determina que os cães de rua devem ser soltos no local em que foram coletados. O g1 voltou a questionar a prefeitura nesta quarta-feira (10). Em nota, o Município disse que acompanha o caso e está à disposição da Polícia Civil para quaisquer esclarecimentos adicionais sobre o caso e que, em relação ao contrato de prestação de serviço com a empresa Clinicão, realiza vistorias e fiscalizações de forma permanente, sempre com o objetivo de verificar se os procedimentos adotados estão em conformidade com o contrato firmado e com a legislação vigente. "Todas as não conformidades que, porventura, sejam identificadas pelas equipes de fiscalização são notificadas à empresa, que, além da regularização imediata das situações, também pode ser punida com multa e/ou, dependendo do tipo de irregularidade, a rescisão do contrato com o Município". Leia também: Previsão do tempo: Paraná entra em alerta de tempestades e 186 cidades podem ter ventos de até 100 km/h; veja quais Impasse: Obra de asfalto será retomada após 9 meses de paralisação devido a fósseis de animais mais antigos que dinossauros Ação ambiental: Cerca de 24 milhões de sementes de árvores são lançadas de cima de helicópteros por indígenas e camponeses Outras irregularidades O delegado Derick Moura Jorge, no decorrer das investigações vistorias técnicas e laudos periciais constataram que o estabelecimento operava "em condições de insalubridade e descumprimento de protocolos sanitários". Veja o que o delegado afirma: animais de grande porte eram mantidos em baias pequenas que os impediam de ficar em pé ou girar; um gato diagnosticado com esporotricose, uma micose contagiosa, era mantido em uma enfermaria comum, sem qualquer barreira ou sinalização; kits cirúrgicos eram guardados sem controle de esterilização; na área externa, cadáveres de animais estavam condicionados de forma totalmente irregular em freezers ao lado de materiais perfurocortantes destampados, próximos a cadelas lactantes com ninhadas recém-nascidas, onde um filhote já se encontrava morto e sem assistência; foi constatado o uso de instrumentos inadequados em procedimentos cirúrgicos, que resultou em danos físicos a um animal. "Ficou demonstrado que os crimes de maus-tratos derivaram de decisões gerenciais e visavam o lucro financeiro direto da empresa em detrimento do bem-estar animal, esquivando-se dos custos operacionais de recuperação, medicação e alimentação pós-cirúrgica", complementa ele. O delegado ainda conta que, à polícia, a defesa dos investigados alegou que o descarte se tratava do cumprimento do protocolo internacional CED (Captura, Esterilização e Devolução). Contudo, a Polícia Civil refutou completamente a tese, considerando que o protocolo exige de forma cumulativa a plena recuperação do animal em ambiente asséptico, cicatrização completa, microchipagem e devolução rigorosa ao exato local de origem. "Soltar animais debilitados com feridas abertas em quadrante geográfico totalmente diverso e perigoso desnatura o instituto e configura ato inequívoco de abandono e descarte de resíduos vivos", diz o delegado. Situação aconteceu em Ponta Grossa (PR) Reprodução Maus-tratos aos animais O crime de maus-tratos contra animais está previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998). Ele é categorizado como praticar ato de abuso, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena é de detenção de 3 meses a 1 ano, além de multa. A pena pode ser aumentada caso o animal morra em decorrência dos maus-tratos ou em outros casos. Um deles é o aplicado no indiciamento dos veterinários e da Clinicão: quando se tratar de cão ou gato, a pena será de dois a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Campos Gerais e Sul